Novas terapias contra a leucemia!

De sentença de morte há poucos anos para a cura em mais de 90% dos casos, o avanço do tratamento da leucemia (câncer do sangue) foi fenomenal. Mas, como esclarece Celso Massumoto, hematooncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, com especialização no prestigioso centro de câncer Fred Hutchinson, nos EUA, “nem todas as leucemias são iguais. Podem ser de dois tipos: mielóide e linfóide. Enquanto, na infância e na juventude, as taxas de cura da leucemia linfóide aguda se aproximam de 90%, o mesmo não ocorre com o paciente adulto (acima de 30 anos), cujas taxas de sobrevida são inferiores a 30%”.

O diagnóstico de leucemia mielóide carrega, além do prognóstico menos animador, principalmente porque atinge pacientes idosos (acima de 60 anos), a perspectiva de tratamentos prolongados e potencialmente tóxicos. A quimioterapia clássica está relacionada às complicações freqüentes e graves, como infecção, distúrbios de coagulação e insuficiência de vários órgãos. Mas novos estudos, recentemente publicados, têm confirmado a possibilidade de modificar esse quadro nada favorável.

Novas drogas, chamadas de moléculas inteligentes ou terapia dirigida ao alvo, vieram melhorar os resultados do tratamento da leucemia mielóide aguda. Anticorpos têm sido desenvolvidos contra “alvos” específicos nas células leucêmicas. Pesquisas sobre esse tipo de terapia, em andamento em vários centros especializados, apresentam resultados encorajadores.

O gemtuzumab, um anticorpo, produzido em animais de laboratório como camundongos e posteriormente modificado por engenharia molecular para adaptar sua estrutura e adequá-la ao uso em humanos, é uma das mais promissoras esperanças. Para melhorar a sua eficácia, foi acoplada a um antibiótico, a calequiamicina. Após o anticorpo identificar a célula tumoral, o antibiótico entra na célula e a destrói.
“Em última instância, estamos tratando ou matando as células leucêmicas com antibiótico (a calequiamicina) como se fosse uma infecção”, resume Massumoto. Os resultados da administração desse tratamento “inteligente” estão sendo acompanhados com interesse e esperança pelos oncologistas.

Pesquisa realizada no Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, recém-divulgada, mostra taxas baixas de complicações e de toxicidade mesmo em pacientes idosos. De acordo com Massumoto, a droga foi administrada em 25 pacientes. Até o momento, o porcentual de respostas positivas ao tratamento é superior a 80%, revelando que a toxicidade a que os pacientes são expostos é menor do que com a quimioterapia convencional.

“Uma grande vantagem que percebemos foram a ausência de alopecia (queda de cabelos) e a menor necessidade de transfusão de sangue ao se empregar o medicamento em pacientes idosos. Os efeitos colaterais são menores e haverá um dia em que todos os tratamentos serão realizados apenas com essas novas drogas, sem o emprego da quimioterapia convencional”, prevê Massumoto.

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